segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Vestes e Assepsia

Pois bem: diz o conceito de higiene, ou seja, o “conjunto de conhecimentos e técnicas para evitar doenças infecciosas usando desinfecção, esterilização e outros métodos de limpeza, com o objectivo de conservar e fortificar a saúde” que são necessários hábitos e condutas que nos auxiliem a prevenir doenças e a manter a saúde e o nosso bem-estar, inclusive o colectivo. É devido à palavra colectivo que me expresso, dado uma pessoa ser, por vezes, obrigada a conviver com um grau de imundície indesejável.

Talvez a maioria das pessoas não repare, mas penso que até o mais desatento dos indivíduos consegue notar, ao sétimo dia (sim, sétimo, é o recorde presenciado até à data, mas acredito que será batido) que a indumentária de determinados indivíduos não se alterou. Não, meus caros, não me refiro a uniformes nem batas. Refiro-me a tirar uma roupita do armário e em vez de estar a escolher a roupa do dia ou do dia seguinte, estar a escolher a roupa………da semana!

Não sei se será problema do meio em que me encontro (talvez seja tradição nas redondezas, não é uma grande cidade) ou se será um problema de defesa do planeta, nomeadamente a poupança de água, levada ao extremo, apenas aversão à limpeza, ou consequência duma infância passada a ler os almanaques do Cascão, mas, a não ser que a pessoa seja um sem-abrigo, detentor de nada mais do que essas duas peças de roupa, aos meus olhos, não há desculpa possível. Os mais optimistas podem sempre tentar convencer-se de que o sujeito em questão lava a roupinha todas as noites e que apesar de usar a mesma, esta vem lavadinha, macia e com cheirinho a fruta. Eu, como ser mais pessimista (entendendo eu por pessimista, mais realista) não ponho essa hipótese, sendo essa rapidamente descartada aquando da aproximação dos indivíduos em análise. O aroma até terá algo a ver com fruta, mas podre. O olfacto não deixa dúvidas e levanta outra questão. Ok, chegámos à conclusão que os trapos estão imundos…mas…e o que se esconde dentro dos trapos? Uma pessoa que não se importa (e parece ter gosto em) ostentar a mesma indumentária sete dias seguidos não deve ter grande preocupação em retirar as camadas de sujidade que se acumulam ao longo do dia na epiderme.

Envergar o mesmo tecido dias a fio, já seria suficientemente mau, mesmo que a pessoa mal se mexesse. Agora, imaginem, adicionar exercício físico, trabalhos pesados e temperaturas de 30ºC à equação.

Facto ou ficção?

Facto.

Continuo a perguntar-me se será problema do meio, da educação ou quiçá, alguma mutação genética em alguns indivíduos. Já deixei de tentar compreender a teoria de grande parte da população feminina de que só se lava o cabelo de dois em dois dias (quando não é uma vez por semana), que não se toma banho quando se tem o período (e não se pode bater natas e claras nesta altura porque senão estas não crescem, esta é a minha preferida). Estando nós no séc XXI, em que as crendices populares deveriam ser nada mais do que uma comédia de outros tempos, penso que a resposta será mutação genética.

Acontecimentos e crendices deste género levam-nos a magicar planos de acção, como por exemplo , tentar (de uma forma muito subtil) entornar algo seboso no cabelo de determinadas pessoas, algo com uma cor bem viva numa peça de roupa, criar uma nódoa de tamanho considerável ou até mesmo, em caso de desespero extremo, recorrer à impiedosa lixívia, ditando assim a morte da maldita peça. Infelizmente, a moral prevalence e impede este tipo de abordagem.

Resta-me apenas manter o máximo de distância possível destes antros de sujidade e dar graças à mãe Natureza e à mãe biológica, por não se terem esquecido de me implementar o gene e o conceito correcto de higiene.

Com cheirinho a fruta, me despeço.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Encómios & Menoscabos

Há alguns anos, alguém me disse inúmeras vezes que eu não devia apontar o que outras pessoas faziam de errado porque assim estaria a melhorá-las e com isso, estaria a tornar as pessoas especiais menos especiais. Tem uma certa lógica, mas dado o que tenho observado ao longo da minha existência, sinceramente, acho que não se corre esse risco, DE TODO.

Há uma coisa que os ditos sujeitos “menos especiais” (querendo com isto dizer comuns) fazem, que me irrita de sobremaneira e é difícil passar um dia sem ter que apreciar algo deste género. Refiro-me a elogios.

Passo a explicar: segundo o dicionário, elogio é o enaltecimento de uma qualidade ou virtude de algo ou de alguém. Muito bem. Enaltecimento de qualidades parece-me muitíssimo bem, acho que é algo que qualquer criatura apreciaria. A minha dúvida é a seguinte: é necessário o elogio ser verdadeiro bem como ser algo mais restrito ou basta ser um elogio? É uma pergunta bastante persistente, segundo o meu (limitado) ponto de vista.

Um meio de pesquisa muito interessante para este tema é o popular “Facebook”. Ora bem, quem der alguma atenção a este tipo de coisa, há-de reparar, certamente, na quantidade de vezes que aparecem, por dia, elogios ao próximo, quer sejam de fotos ou frases. Elogios dirigidos a um sujeito específico.

Tomemos como exemplo uma personagem fictícia chamada Joana. Joana tem 100 amigos. Com alguma pachorra de pesquisa, notamos que os 100 amigos de Joana não são clones, nem sequer aparentados. 100 indivíduos com fisionomias completamente diferentes e (com muita esperança) personalidades muito variadas. Pois bem: Joana comenta fotos e escreve dedicatórias a mais de metade dos seus amigos facebookianos. Joana diz a João que é lindo de morrer. Uns cliques depois, lêmos que Joana disse a André que é lindo de morrer. Podia continuar mas só iam variar os próximos 50 nomes (ou nem isso). Hummm….ok. Eu sei que não sou exemplo porque ainda estou para descobrir alguém com um gosto mais restritivo do que o meu mas, se o meu é restritivo demais, então achar 50 ou 100 pessoas que nada têm em comum fisicamente LINDAS DE MORRER é não ter gosto sequer (deve ser uma vida bastante mais fácil, diga-se de passagem). Não há a mínima diferenciação, tudo é lindo, logo, não há gosto, já que gosto implica escolha, padrões. Agora, vocês dizem-me: toda a gente tem algo de belo, etc, etc. Não concordo, mas não vou entrar por aí. Uns até podem ter uns olhos belíssimos, outros um cabelo fenomenal, uns lábios esculpidos e por aí adiante, tudo bem. Agora, dizer que alguém é lindo, no meu dicionário, vai um pouco mais além, mas como sempre, isso sou Eu (a esquisita). Se quiserem pegar na parte interior, pode ser analisada, mas os comentários a que me refiro não se referem a belíssimas personalidades. Sim, a beleza interior consegue fazer muito pela exterior mas meus caros, sejamos realistas, nem essa faz milagres. É possível amar o feio, este tornar-se mais menos feio por isso, mas há que ser honesto e admitir os factos (não sou insensível, sou realista).

Entregas de prémios e entrevistas, por exemplo. É rara a entrevista em que não comecem por elogiar a beleza bem como a indumentárias dos exemplares femininos, sejam eles quem forem. Já vi elogios a pessoas que já nem feições têm devido às plásticas e a roupas que nem recebendo dinheiro para tal, alguém vestiria! É absolutamente ridículo, um espectáculo de acéfalos e hipócritas, ou pior, dos dois num só. Elogios fazem parte da educação, é educado elogiar alguém sim, é, agora, o problema é o elogio que se faz!! Não se vai dizer a uma pessoa que sofreu queimaduras severas na cabeça e perdeu 90% do couro cabeludo que o seu cabelo está lindíssimo esta noite!! Deixa de ser educação e passa a ofensa. Sim, a maioria das pessoas pode ficar feliz na mesma, já que a maior parte não consegue distinguir elogios, ou tem uma auto-estima tão pobre que nada mais interessa, mas qualquer pessoa com alguma auto-estima e provida de cérebro consegue aperceber-se se é um elogio, se é uma ofensa (mal) disfarçada ou se é uma frase que já é automática. Para mim, é absolutamente irritante e deprimente assistir a este tipo de coisas. Há que ser realista e se não houver nada bom a dizer, mais vale ficar calado ou dirigir o tema para outros caminhos.

Uma das coisas que (pelo menos para mim) faz toda a diferença é “quem” profere o elogio. Ainda no outro dia fiz um elogio a uma amiga minha. A reacção não foi “Ah, obrigada” mas sim uma cara de espanto e “Bem, isso é que é um elogio, vindo de ti tem muito valor”. Porquê? Porque sabia que se eu o estava a dizer era porque realmente achava o que tinha dito. Quando se diz a alguém (por exemplo) que é lindo não interessa se essa pessoa é linda ou não, segundo os padrões mais comuns, mas sim se nós a achamos linda ou não, segundo os nossos padrões específicos e isso sim, é que tem realmente valor. O ponto chave é a honestidade. O maior problema é que o leque de pessoas de quem se pode acreditar realmente num elogio, é muitíssimo reduzido, uma vez que a maioria dos seres usam os mesmos elogios para centenas de pessoas, perdendo o elogio, todo o seu valor. Se alguém nos disser que somos lindas, que somos umas pessoas fantásticas, ficamos felicíssimas, quem não gosta? O efeito não dura, uma vez que quase invariavelmente, o mesmo elogio é dirigido a mais umas dezenas de pessoas e assim, deixamos de ser especiais e passamos a ser apenas parte de um grupo tão imenso como a estupidez e hipocrisia de quem proferiu o elogio. Geralmente, nesse grupo há sempre alguém que achamos horrível, o que ainda consegue tornar a situação mais deprimente.

Um exemplo que uso muito é o de quando alguém está inseguro relativamente a uma peça de roupa ou vem bastante feliz exibi-la e nos pede a opinião. A frase cliché é independente da verdade, quase toda a gente diz que fica muito bem ou que está linda (como todas as outras pessoas que conhece). Haverá quem esteja e quem mereça o elogio e haverá quem ache realmente que a pessoa está linda. Lá porque não se achou a roupa bonita, que ficasse bem, ou que fosse a escolha mais acertada, não devemos magoar a pessoa (tacto é das coisas mais raras e por isso das que mais admiro), o que eu acho é que se temos essa preocupação com a pessoa também a devemos ter quanto a enganá-la e mentir, é enganar. Se a opinião é menos boa, há maneiras de o dizer e há sempre forma de puxar a conversa para algum pormenor ou forma de dissipar a o assunto. Para quem não tem dom suficiente para tal, sinceramente, acho melhor dizer que, realmente acha que a roupa não fica tão bem, do que dizer que fica e a pessoa fazer a figura que muitas pessoas fazem por essas calçadas fora, convencidíssimas que estão um estouro (porque alguém muito querido lhes disse que o estavam). Também há quem diga que a pessoa está perfeita, exactamente com o intuito de que a pessoa apareça no seu pior, mas isso, já é outro tema.

Elogios podem ainda ser um meio rápido e eficaz para se atingir um determinado fim mas assim voltamos sempre a falar em acefalia (característica sempre presente) e torna-se repetitivo.

Talvez seja eu, que seja desconfiada, esquisita e dura demais, quiçá. Sou a favor da liberdade e cada um sabe de si, portanto, quem quiser construir uma auto-estima baseada em ficção, esteja à vontade, apenas perdoem a minha falta de contribuição.

“A compliment is usually accompanied with a bow, as if to beg pardon for paying it.” ~A.W. Hare & J.C. Hare

terça-feira, 29 de junho de 2010

União de futuros Ex-cônjuges aka Casamento

“Blessed is he that expects nothing, for he shall never be disappointed.” Benjamin Franklin, 1739

Hoje não é certamente o melhor dia para escrever, não estou lá muito coerente mas é hoje que me apetece, portanto, aqui fica. Como sempre, aviso-vos que quando falo sobre determinado assunto, não é para ser entendido como uma regra, mas sim como a maioria. Só faço generalizações a 99%, nada pode ser a 100%, há sempre excepções, sendo geralmente essas, as que fazem o mundo ainda valer a pena, como por exemplo os meus pais, que farão 39 anos de casados para o mês que vem e que são o meu melhor exemplo.

Desde tenra idade que nos enchem o imaginário com contos de fadas, príncipes encantados e o famoso “viveram felizes para sempre”. Passamos anos e anos a formar uma ideia de vida perfeita, de um futuro imaculado, em que todas as peças se encaixam. Qual é a brincadeira mais comum com Barbies? Encontrar o príncipe encantado (perfeito em todos os sentidos e temos vários modelos para escolher), o dia do casamento e os rebentos, para completar o quadro perfeito. Neste ponto refiro-me a crianças do sexo feminino (maioritariamente). Os rapazes nestas idades são bastante mais inteligentes, preferem brincar com carrinhos, lutar e jogar futebol, o que é bastante mais útil (e realístico) para o seu futuro.
Os anos passam e as raparigas deixam então as Barbies de lado e tentam começar a jornada da busca do príncipe encantado. Os rapazes mantêm os mesmos hábitos de criança (são criaturas quase imutáveis), acrescentando apenas o interesse por mulheres (geralmente), ou por sexo, para sermos mais exactos. No entanto, as prioridades mantêm-se. Talvez por não existir o conceito de princesa encantada e por não terem o mesmo número de anos dispendidos a pensar no assunto, os homens são muito menos exigentes que as mulheres , neste ponto. O essencial são os atributos físicos, o resto é bónus. As mulheres (quase doutoradas no assunto aos 18), têm uma lista infinita de características necessárias antes dos atributos físicos (sim, a parte monetária entra na lista, podendo vir antes ou depois dos atributos físicos, dependendo do sujeito em questão).
Como se costuma dizer “enquanto não encontras a mulher certa, diverte-te com as erradas”. E é vê-los a mudar de parceira como nós mudamos de roupa. É o dito garanhão, muito aclamado, muito requisitado. Tal como já tinha comentado, parece que quanto maior o currículo de um homem melhor o mesmo, óptimo partido. Por sua vez, uma mulher tem de funcionar ao contrário, quanto mais curto o rol de homens no currículo, melhor. Hei-de perecer a tentar entender isto mas a explicação mais interessante que já ouvi até hoje é a seguinte: uma chave mestra é uma coisa excelente de se ter, abre todas as portas; agora, uma porta que pode ser aberta por qualquer chave ninguém quer, não é uma boa porta. Tem lógica e acho que é das melhoras definições para o sexo masculino, tanto que vou adoptá-la: chaves mestra. Pois bem, chaves mestra é o que não falta por aí (tal como portas com fechaduras muitíssimo simples, algumas até nem necessitam de chave) mas voltemos à noção de príncipe encantado. Cada porta é construída com uma determinada fechadura, fechadura essa que é construída com um chave e é essa a chave que se procura e não uma chave mestra, que pode abrir qualquer porta (isto digo eu, é claro).
Lá chega (ou chegava) uma altura em que a porta acha que encontrou a chave correspondente e a chave (provavelmente por insistência da porta) lá pede à dita porta (ou apenas diz que sim) que contraia matrimónio consigo.
Momento de pura euforia, o momento pelo que a porta sonhou toda a sua vida, desde que era parte de uma árvore, tinha finalmente chegado. Aquela chave era o amor da sua vida, foram feitos um para o outro, encaixavam na perfeição, o click era perfeito, a fechadura iria funcionar até que a morte (ou o caruncho) os separasse. Faz-se uma festa enorme, gasta-se o dinheiro que se tem (e o que não se tem), convidam-se conhecidos e desconhecidos e jura-se amar e respeitar o outro até que a morte os separe, o que equivale aos seus “para sempre”. Afinal a vida é mesmo um conto de fadas, os livros tinham razão, é impossível estar-se mais feliz.

Humm..será? Preciso de factos. Vejamos:

Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), as uniões são já menos 15 815 do que há dez anos e os divórcios mais 9636. Dos casamentos celebrados (47 857 – menos 814 face a 2005) a percentagem de uniões em segundas núpcias aumentou e é já de 20,6 por cento. Em 2006, verificaram-se 23 935 divórcios, mais 1082 do que em 2005: por cada cem casamentos celebrados em Portugal, foram decretados 48 divórcios. A idade média da dissolução das uniões é de 41 anos para os homens e 39 para as mulheres, tendo o casamento a duração média de 14 anos. Janeiro é o mês em que se realizam menos matrimónios e em que mais vínculos nupciais são dissolvidos, por morte ou divórcio. 47 857 casamentos foram celebrados em 2006, em Portugal, menos 814 face ao ano anterior e menos 15 815 do que há dez anos. Dos matrimónios realizados, 20,6 por cento corresponde a segundos casamentos. 23 935 divórcios foram decretados em 2006.

Ooops!

Ok, vejamos: duração média de casamento 14 anos? (Penso que hoje em dia é no máximo metade disso, mas continuemos) Não era isso que dizia nos livros! Branca de Neve, Cinderela? Afinal fomos enganados durante anos a fio! Os livros acabavam com “felizes para sempre” e não felizes durante os próximos 14 anos! Não estava escrito que após os 14 anos de felicidade decrescente, a princesa e o príncipe passarão por batalhas judiciais intermináveis, o rombo no seu orçamento será trágico e passarão a pais solteiros, com filhos a quem deviam uma infância feliz e completa. Como é bom ser criança (em livros, obviamente).
Qual foi o problema? A chave voltou a ter saudades de ser uma chave mestra? A porta percebeu que afinal aquilo não era uma chave mas sim um martelo? O que aconteceu? Não sou psicóloga nem acho que alguém se deva submeter a uma vida de infelicidade ou menos feliz (pelo menos quem não tem filhos), apenas acho que as pessoas perderam a noção dos sentimentos, do que é uma promessa, de tudo o que a palavra amor engloba e acima de tudo perderam a paciência e a capacidade de conversação, compreensão e de compromisso, de meio termo, dar e receber. Perderam a noção do valor das palavras e dos gestos.
Hoje em dia as pessoas têm uma discussão e a opção é fazer as malas e ir embora, ninguém quer ter o trabalho de resolver nada. Obviamente que há coisas que não têm solução mas muitas delas têm, apenas para a maioria das chaves e portas, não valem a pena o esforço. Há tanto peixe no mar, tanta porta, porquê perder tempo com uma que não esteja a funcionar bem, não é? Compra-se uma nova e pronto. E assim se segue em frente, e o ciclo começa novamente.

Nova porta, novo casamento, provavelmente novos descendentes e temos o conceito de família do século XXI que inclui as madrastas, padrastos, meios-irmão e filhos de madrastas e padrastos, mulher/marido nº1, nº2 e por aí adiante. Agora eu pergunto: ok, faz-se isso a primeira vez, é normal mas..fazer a segunda?! A terceira?!?! Casar 10 vezes como se fosse ir ao cinema? Ter filhos, desta, daquela e do outro? Ir tendo filhos com vários parceiros?? Sinceramente mete-me muita impressão mas talvez seja eu que sou muito esquisita não é? Talvez a minha noção de ridículo seja…..ridícula. É provável.
Como diria Darwin, só sobrevive quem se consegue adaptar portanto, continuarei a ir aos casamentos, tentando adivinhar quanto tempo durará desta vez, quantos filhos nascerão DESSA união, como será a segunda mulher, o terceiro marido e quem dirá pior, de quem hoje, diz ser o seu mais que tudo, a pessoa mais maravilhosa do mundo (passa-se de bestial a besta num piscar de olhos..ou em 14 anos, se formos mais precisos).
Afinal não é o sapo que se transforma em príncipe mas sim o príncipe em sapo. Quem terá deixado publicar aquelas histórias? Uma excepção, provavelmente. Os livros para crianças precisam de uma revolução, e acima de tudo, as frases: “aceita X para ser seu marido” terá de ser substituída por “aceita X para ser seu ex-marido num futuro próximo” e “até que a morte os separe” deve ser urgentemente substituída por “quanto tempo dura o teu para sempre”? Seria muito mais justo e definitivamente mais realístico.

domingo, 31 de maio de 2009

Tempus fugit

"The clock is running. Make the most of today. Time waits for no man. Yesterday is history. Tomorrow is a mystery. Today is a gift. That's why it is called the present."
Já alguma vez ouviram alguém, ao experimentar umas calças ou uma blusa que adoram mas que lhes fica tão apertada que é necessária uma agilidade digna de um ginasta olímpico para conseguir apertar o último botão, proferir a seguinte frase: “Está um bocadinho apertado mas é uma peça tão bonita que eu vou levar na mesma. Para além disso, vou emagrecer, daqui a uns meses já me serve.”?
Acho que é extremamente positivo ter objectivos tanto a curto como a longo prazo, sem esperança o que seria de nós não é? O problema não é esse, o problema é a convicção de que o amanhã chega sempre e que certas coisas só acontecem aos outros. A segurança que a maioria das pessoas partilha.
Certo dia estava eu a ver um filme extremamente sangrento e com inúmeras torturas sádicas à mistura quando chega uma pessoa amiga e me diz: “Não sei como consegues ver essas coisas, isso é fantasia, não acontece na vida real.” O filme era o Hostel 2. Para quem não viu o filme, de uma forma muito resumida, trata-se de um grupo de amigas que sendo turistas se tornam um alvo fácil para as experiências de um grupo de indivíduos com gostos macabros. Não acontece?!
Será que a muralha da China não existe? De vez em quando aparece na televisão e ouço falar dela mas nunca a vi ao vivo, começo a duvidar. É preciso ser parte integrante de algo para se poder acreditar? Sentir na pele?
A maioria das pessoas acha extremamente hilariante que eu, sendo rapariga de perto de ¼ de século não conduza às tantas da madrugada e não ande sozinha por todo o lado após o lusco fusco. Os nomes variam mas geralmente resumem-se a medricas. Acho curioso. Segundo o meu particularíssimo ponto de vista denomina-se consciência, ter noção da realidade. Voltamos à visão de conto de fadas que as pessoas têm do mundo em que vivem, especialmente de que são intocáveis. Será que já vi filmes a mais? Noticiários a mais? Documentários a mais? Li jornais a mais? Não me parece.
Lembro-me do jogo da roleta russa. Um tambor para 6 balas..se puser apenas uma bala tenho boas probabilidades de ao premir o gatilho continuar viva. Isto para mim é o dia-a-dia, há sempre uma bala na câmara, 24 horas por dia. Obviamente, quanto mais balas puser na câmara maior a chance de ir desta para melhor. Tal como, consoante os locais a que se for e consoante os horários e companhia que se tiver, aumenta ou diminui a probabilidade de algo menos bom acontecer. Ok, agora vocês dizem: “Pode haver um tremor de terra e cai-me o tecto em cima, morro na minha cama ou engasgo-me com um caroço de cereja e bato as botas." Perfeitamente. Daí a tal bala que está sempre presente no tambor da vida. É como ir acender uma fogueira e tomar banho em gasolina antes, deixar os filhos com um pedófilo. Pode acontecer e pode não acontecer. Jogar pelo menos arriscado é ser cobarde? Eu chamo-lhe prudência, sensatez. Acontece sempre aos outros..até nos acontecer a nós. De qualquer modo faço votos para que a noção de fantasia se mantenha (exclusivo para todos os que me são queridos e/ou merecedores).
Outra coisa curiosa na maioria dos seres humanos: só dão valor às coisas quando as perdem, só dão valor ao tempo quando percebem que é limitado. Desde pequenos que nos dizem: “Um dia quando fores velhinho”. Quem disse que chego lá? Obviamente todos esperamos atingir essa fase mas não é uma garantia. Temos sempre a noção de que a família, amigos, cara-metade vão estar sempre presentes e portanto a maioria das pessoas age como se todas essas pessoas bem como o tempo que ela própria tem de vida fosse um dado adquirido, uma garantia. O trabalho é sempre prioritário, a conta bancária, o prestígio, sendo a maior parte do seu tempo dedicado a essa parte. Um dia alguém me disse que amor não paga dívidas. Realmente não paga, correctíssimo. Se já temos o amor, não precisamos de nos preocupar com essa parte, preocupamo-nos com as dívidas, fazemos por não ter dívidas, quando estivermos financeiramente bem (o que raras vezes acontece) depois teremos tempo para o resto. Voltamos à visão futurista. Imaginemos que conseguimos o tal almejado sucesso. Poderá uma conta de milhões salvar alguém com uma doença terminal? Comprar mais tempo? Será preciso alguém um dia fazer um exame médico e descobrir que tem uma doença terminal, apenas alguns meses de vida para as prioridades serem as correctas? Para se ver para além do sucesso, prestígio e contas bancárias? Longe de mim dizer que uma conta bancária choruda é pouco importante e que não devemos fazer por isso (sou consumista por Natureza), apenas acho que não vem em número 1 na lista da vida.
Talvez para a maior parte das pessoas seja necessário perder alguém que se ame, deparar-se com uma doença grave na família, ter um acidente grave, ser raptado, ver a vida por um fio. O exemplo alheio nunca é suficiente, é sempre preciso passar pelas coisas infelizmente e mesmo assim a maioria não muda.
Acho que nunca é tarde para se reorganizar prioridades e dar valor ao que realmente importa e para se ter noção de que a única coisa certa na vida para além da morte é a mudança. Hoje pode ser o nosso último dia, amanhã um dos nosso pais pode falecer, aquele pessoa de que tanto gostamos pode morrer daqui a 1 ano, daqui a 1 semana podemos fazer um simples exame médico e descobrir que temos 6 meses de vida. Mudavam alguma coisa na vossa vida? Alteravam prioridades? Viviam de outra maneira? Seja qual for a resposta, está sempre dependente de factos e suposições nunca alteram nada, só se tem noção quando a catástrofe acontece, e aí, geralmente é tarde demais, mas é assim o ser humano.
No entanto, nada é tão esperado como o inesperado e de um dia para o outro tudo muda.
“Live as if you were to die tomorrow. Learn as if you were to live forever.” , já dizia Mahatma Gandhi

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Laços

Conhecem aquele provérbio que diz que o sangue fala mais alto? Tenho alguma dificuldade em perceber (mais uma adição à infinita lista). Desde cedo que ouço dizer isto e apesar de entender até certo ponto, não acho absolutamente correcto e reformularia para “Os sentimentos falam mais alto”. Acho que o que conta não é a partilha de genes mas sim o sentimento, o laço existente entre pessoas. Família todos têm ou tiveram e não se escolhe. É uma questão de sorte. Como seres humanos, com personalidades distintas, obviamente não nos conseguimos dar com todos os representantes da espécie e não me parece que o sangue ajude alguma coisa neste ponto.
Não sei se a ideia de que se tem que gostar de todos os familiares provém do facto de geralmente serem pessoas com quem lidamos desde o berço (na maioria das vezes). Talvez venha daí. E neste ponto provavelmente já pareço alguém anti-família, o que não é de todo, o caso. Apenas não entendo porquê que sangue e afeição têm de estar directamente relacionados. Quem não ouviu crianças dizerem: “Não gosto da tia X, não suporto o primo Y e por favor não me obriguem a ir visitar o bisavô K?” e receberem respostas do género: “Tens que gostar, é tua tia” ou “ tens de ir, é família”. Estava na fase da infância mas passemos à adolescência e às discussões entre pais e filhos porque os rebentos preferem ir sair com os amigos ou estar com as caras-metade da altura do que ir jantar à casa da tia-avó ou aos anos do primo que é a criatura mais insuportável do mundo? A frase chave é sempre a mesma, “Tem de ser, é família”. Cenas recorrentes.
Não acho que as pessoas tenham que ser almas gémeas para nos darmos com elas e que se não convivermos isso signifique que gostemos pouco delas, nada disso. Acho que se pode gostar muito de seres humanos completamente diferentes de nós e podemos mesmo estar lá para eles quando necessário, apenas não conseguirmos conviver com eles regularmente por choques extremos de personalidade. Mas sejamos francos, noutros casos não gostamos mesmo das pessoas, por mais genes que tenhamos em comum, não há nada a fazer. Devo ainda acrescentar que muitas vezes estas insistências nas idas a habitações de parentes tem a ver com exibição da prole, coisa que a maioria (se não todos) dos progenitores adora (mesmo que não haja nada digno de exibição).
"Don't pity the girl with one true friend. Envy her. Pity the girl with just a thousand acquaintances."- Katie Obenchain
Sangues à parte, o que são amigos? Sinceramente não me interessa minimamente o teste de DNA mas sim os laços criados. Um primo, tio, avô, irmão, Pai, até mesmo Mãe, são amigos porque existem genes comuns? Num mundo ideal os progenitores são os melhores amigos e quem mais ama o seu rebento mas não me parece que estejamos no planeta correcto. Quantos pais abandonam e maltratam os filhos? Têm genes mudos? Será? Não me parece.
Porquê que um parente tem prioridade em relação a um amigo apenas porque tem algum sobrenome em comum? Porque nos conhece desde que nascemos? Viu-nos de fralda? Costuma-se dizer que amigos, namorados, maridos, vão e vêm, mas a família fica. Até aí concordo, não se pode alterar esses graus de parentesco e talvez na maioria dos casos funcione mesmo assim, espero que sim, apenas não acho que se possa ser radical a esse ponto.
Independentemente do tempo de vida que se tenha, toda a gente tem momentos bons e maus na vida. Para mim, o verdadeiro amigo é quem está presente em ambos. É a pessoa que pergunta se estamos bem e que curiosamente espera pela resposta e que não se contenta apenas com a resposta mas também com a expressão e tom que a mesma alberga. É a pessoa que provavelmente preferia estar noutro lugar quando precisamos dela mas não está, está ali. É a pessoa, que aconteça o que acontecer sabemos que vai estar lá, independentemente de estarmos certos ou errados. É a pessoa que nos conhece melhor que ninguém mas mesmo assim gosta de nós e nos aceita tal como somos. É a pessoa que esteve sempre lá e que sabemos que vai estar sempre. Isso para mim, é família, com ou sem genes em comum.
Pode ser a nossa mãe, pode ser um amigo de infância, pode ser uma cara metade, pode ser o irmão, o vizinho, seja quem for. Podemos gostar muito de alguém que é a antítese da nossa personalidade, podemos detestar alguém que é o nosso reflexo, podemos criar uma empatia inexplicável com alguém que conhecemos há 5 minutos bem como podemos passar 10 anos a conviver com alguém e continuar a ser uma tortura. Não se explica, sente-se.
É uma questão de sentimento e não de genética. Mas isto, digo eu.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Artes de Pesca

Pesca..captura de organismos aquáticos para diversos fins, como por exemplo alimentação ou recreação.
Existem várias artes de pesca, sendo a sua selectividade variada. A selectividade da arte não depende apenas do que se quer pescar mas também do esforço e tempo que se pretende dispender na captura.
Temos a pesca de arrasto, tão comum...venha o que vier, sem diferenciação. Se entrar no limite é capturada, sem olhar a consequências. Efeitos da pesca de arrasto podem se detectados por satélite, tal a sua intensidade, e os danos duradouros, muitas vezes irrecuperáveis. O que interessa é capturar, danos colaterais há sempre não é? Também não será o pescador a preocupar-se com isso, o problema é do ecossistema, este que recupere.
Passemos à pesca com anzol, como a pesca com palangre por exemplo. Este tipo de pesca é extremamente selectiva, uma vez que consoante o tamanho e formato do anzol utilizado bem como o tipo de isco, a pesca é direccionada para uma espécie específica. Requer bastante mais tempo e um conhecimento profundo da espécie que se quer capturar, é necessário determinar previamente a espécie-alvo. Uma arte utilizada por poucos hoje em dia.
Há quem defenda o isco e há quem defenda o anzol. Qual deles tem maior importância? Segundo as minhas convicções o essencial é o anzol mas anzol sem isco é apenas um anzol, com baixa probabilidade de despertar o interesse do peixe por si só. Ou seja, se queremos que o peixe se aproxime do anzol é essencial um isco, algo que o atraia até ao anzol. Após atraído pelo engodo, entra então o anzol em acção e aí, apenas a qualidade do anzol é relevante. Um anzol de qualidade conseguirá reter o peixe, enquanto um anzol mais comum, menos detalhado provavelmente reterá o peixe apenas por algum tempo. É necessário o isco indicado à espécie a capturar, mas sem um anzol de qualidade, o peixe não ficará retido.
O isco pouco dura, o anzol, esse, permanece.

domingo, 3 de maio de 2009

Álcool

Mês de Maio, semanas académicas. Agrupamento de estudantes, Álcool.
Continuando com a minha teoria de que a população mundial pode ser dividida em pessoas do tipo X e Y, aqui fica mais um post sobre um dos mistérios X que hei-de falecer sem compreender na sua totalidade.
Tenho quase ¼ de século de existência e as minhas experiências com álcool resumem-se a um molhar de lábios com vinho do porto. Acreditem ou não, é a mais pura verdade. Ainda hoje muito boa gente perde apostas graças a esta minha qualidade (segundo o meu ponto de vista), atraso (segundo a maioria dos pontos de vista). A maior parte das pessoas acha hilariante e que sou a comédia personificada. Este “comportamento de desvio” é partilhado pelo meu irmão, mais velho do que eu. Daí, a maioria das pessoas pensa: “Ah, isso são os pais.”
Tem a sua piada, uma vez que o que está implícito neste tipo de comentário é que os pais provavelmente proibiram as pobres almas de tocar em determinadas substâncias, ou são alcoólicos e os pobres rebentos ficaram traumatizados com os exemplos paternos ou de alguém na família. Lamento informar os inúmeros elaboradores da teorias mas nenhuma se aproxima da verdade. Ambos os progenitores dos “desviados” apreciam um bom copo de vinho à refeição em determinadas ocasiões. Peço especial atenção para o pormenor do “um”. Nunca ocorreu a mínima tentativa de afastar a descendência do “diabo líquido”, tendo surgido a proposta em inúmeras ocasiões.
Assim, é uma opção pessoal. Não vou igualar álcool a droga mas o nível de atracção que provoca em mim é exactamente o mesmo. Chamem-me comichosa mas o cheiro por si só repele-me. Recorda-me aqueles xaropes que por vezes se tem de tomar mas em que se cobre as fossas nasais devido ao odor.
No entanto, apesar de não ser adepta eu consigo perceber que alguém tome um copo ou outro em determinadas ocasiões. Se me disserem que tiram algum prazer disso, que o sabor é fenomenal, que uma cerveja gelada no Verão sabe super bem, ok, não digo nada, até aí o meu cérebro limitado consegue alcançar. O busílis da questão não é o álcool em si, mas sim a quantidade ingerida. Volto a frisar, a quantidade ingerida.
O que é que leva uma pessoa sã a marcar “bubas”?! “Então, hoje vamos jantar fora? Um cinema? Vamos ver um jogo? Vamos andar de barco? Está um dia magnífico”, ok...agora, “Vamos apanhar uma buba hoje à noite?” O meu cérebro entra em bloqueio..mas pelas reacções dos participantes nestes sábios diálogos isto equivaleria a alguém dizer-me: “Pá, olha, ganhei o euromilhões, vou dar-te uma parte.” A mim, particularmente, quando ouço a célebre frase, o meu cérebro problemático faz a seguinte tradução: “Vamos tornar-nos mentalmente atrasados e perder completamente a dignidade? Com sorte fazemos uma competição de regurgitamento e acabamos a noite ou no hospital ou com alguém desconhecido sem nos lembrármos de metade. Vai ser o máximo.”
Por favor, elucidem-me. Já ouvi “n” explicações e a maioria delas resume-se a “esquecer os problemas” e “tornar-me mais desinibido”.
Quanto à primeira, não sei se sou só eu que reparo mas os problemas permanecem após o efeito do álcool, álcool não afoga mágoas e na maior parte das vezes o indivíduo acaba com ainda mais problemas na fase pós-alcool do que começou. Curiosidades. A explicação da desinibição...falta de personalidade será mais preciso. Necessitar de “extras” para ser a pessoa que se queria ser, para adquirir coragem para fazer coisas que de outro modo não se conseguiria fazer para mim é apenas falta de personalidade e uma farsa. Mas mais uma vez, é apenas a minha humilde opinião, sou apenas uma pessoa “desviada”.
Não tenho nem nunca tive espírito de manada e não tenho a mínima dificuldade em utilizar a palavra “não”. No entanto, acho que é aí que reside a resposta às perguntas que fiz anteriormente. Quem não bebe é o dito “betinho”, “mariquinhas” e, supostamente, excluído socialmente. Quem não segue a manada geralmente fica sozinho, não é aceite e como se costuma dizer, se não os consegues vencer junta-te a eles.
Honestamente, acho que se as pessoas fossem filmadas no seu estado alcoolizado e essa gravação lhes fosse mostrada no seu estado sóbrio duvido muito que voltassem sequer a tocar em álcool. Também é algo a que ninguém vai aderir, havendo também a dificuldade de encontrar um cameraman sóbrio, claro.
Apesar de nunca ter bebido, tenho uma vasta experiência em pessoas alcoolizadas, amigos e desconhecidos, o que ainda reforça mais a minha opinião sobre o álcool. Tenho que admitir que numa fase inicial algumas pessoas até me divertem um pouco e se tornam bastante mais interessantes do que no seu estado normal mas dum modo geral, as cenas são deploráveis. Já vi de tudo.
Outro ponto que me ultrapassa. Ainda há poucos meses tive um intoxicação alimentar grave, podia ter formado um novo oceano de conteúdos estomacais e digo-vos, nunca me senti tão mal fisicamente. Só a possibilidade de poder regurgitar deixa-me aterrada, o que ainda aumenta o mistério que envolve o excesso de álcool, para mim. Como é que além de perder completamente a dignidade, alguém pode induzir um processo que vai culminar em dores de cabeça e má disposição? Transcende-me de sobremaneira.
Acho fantástico o orgulho que demonstram após esses eventos, pelos vistos quanto mais se conseguir ingerir mais estatuto se tem. Conheço pessoas com graves problemas de fígado nos seus 20 e poucos. Mas o que é um fígado comparado com um estatuto social mundialmente reconhecido nas comunidades académicas e as inúmeras histórias de que se poderão gabar? Quem não quer ser detentor do título de maior ingestão de cerveja, de maior número de bubas? Existe orgulho maior? Nada é mais importante que ser aceite não é? A dignidade que vá para as urtigas, quem precisa disso? Venha a hepatite alcoólica e a cirrose, a gastrite, pancreatite e a hipertensão, só não se perca a inserção social! Cheers!!